sexta-feira, 4 de março de 2011

Proteína 'Paris' pode levar ao surgimento da doença de Parkinson

Uma proteína com nome de cidade - Paris - é apontada por cientistas do centro médico Johns Hopkins como uma causa para um dos tipos de doença da Parkinson, que afeta 1 milhão de norte-americanos. Identificar O estudo é tema da edição desta semana da revista científica "Cell".
A Paris aparece quando uma outra proteína, conhecida como parkin, deixa de ser produzida por causa de mutações genéticas. A parkin é responsável por localizar elementos tóxicos às células nervosas e provocar a destruição das ameaças.
Quando o gene ligado à existência da parkin é alterado, formas raras da doença de Parkinson podem surgir, sendo passadas como herança familiar. Mas até então os cientistas não haviam conseguido ligar a influência da parkin em versões mais comuns da doença, aquelas que aparecem em pessoas mais idosas.Uma terceira proteína, PGC-1alfa, que garante a proteção de células nervosas, deixa de ser produzida na presença da Paris. Quanto mais as estruturas do cérebro morrem por conta de falta de proteção, maior a chance do surgimento da doença de Parkinson.
Para tentar provar esta hipótese, os cientistas norte-americanos usaram camundongos geneticamente alterados e células do tecido nervoso humano, cultivadas em laboratório, para mostrar como o acúmulo da proteína Paris está ligada a mutações no gene responsável pela parkin.
No experimento, os pesquisadores desligaram o gene responsável pela proteína parkin em camundongos em idade embrionária. Com isso, eles notaram um aumento de 20% na presença de proteínas Paris nos roedores na comparação com um grupo controle - que não sofreu alterações genéticas. Mas eles não notaram diminuição nos níveis da proteína PGC-alfa1. Os camundongos também não apresentaram um número menor de células cerebrais.
Ao repetirem o procedimento, desta vez em camundongos adultos - com oito semanas de idade - eles observaram que, com o passar do tempo, o acúmulo da proteína Paris era três vezes maior nos roedores submetidos à alteração do que nos animais do grupo controle. Após dez meses, houve também diminuição na proteína PGC-alfa1 e perda significativa de neurônios.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Composto da mostarda pode ajudar no combate ao câncer de bexiga

Mostarda anti-câncer 2 (Foto: northbaywanderer / Flickr creative commons 2.0 genérico)
Plantas como a mostarda, a raiz-forte comum e a versão japonesa - que dá origem ao tempero wasabi, típico na culinária oriental - podem ter propriedades anti-câncer, segundo um estudo publicado na publicação científica "Carcinogenesis", da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha.
Os autores, ligados a institutos de pesquisa sobre o câncer nos Estados Unidos, sugerem que uma substância presente nesses vegetais conhecida como isotiocianato de alila - composto responsável pelo sabor forte desses vegetais - pode ajudar no combate ao câncer de bexiga.
Durante o estudo, feito em ratos, os cientistas notaram que o avanço da doença foi interrompido em 30% dos casos e a contaminação de outros órgãos por células cancerígenas (metástase) foi completamente impedida em todos as cobaias.
Plantas normalmente utilizam o isotiocianato de alila como uma arma para combater ameaças como insetos herbívoros. Na pesquisa, os ratos foram alimentados com pó de semente de mostarda. O tratamento durou três semanas. Os roedores com a dieta especial foram comparados com um grupo controle - que não recebeu nenhuma comida especial para combater o câncer.
O isoticianato também aparece em outros vegetais do grupo conhecido como crucífero, dos quais os principais representantes são a couve-flor, o repolho, a couve e o brócolis. Segundo o Instituto Nacional do Câncer norte-americano, esta família de plantas possui propriedades capazes de reduzir o risco de câncer de cólon.Apesar do trabalho não ser conclusivo sobre a aplicação direta dos benefícios da mostarda em humanos, os pesquisadores acreditam que outras pesquisas podem surgir para provar o benefício dos vegetais no combate ao câncer.
Já o câncer de bexiga pode gerar a contaminação de outros órgãos em até 30% dos casos em humanos. Após as células cancerígenas se espalharem, o paciente normalmente precisa de um tratamento agressivo e, em alguns casos, remover a bexiga, com chances pequenas de sobrevivência.
* Com informações do site Environmental Health News

quarta-feira, 2 de março de 2011

Anti-inflamatório ibuprofeno reduz risco de Parkinson

Os adultos que tomam regularmente ibuprofeno, um anti-inflamatório, têm 27% menos riscos de desenvolver a doença de Parkinson, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira.
"Não há remédio para a doença de Parkinson, então a possibilidade de que o ibuprofeno, um medicamento relativamente não tóxico, possa ajudar a proteger contra esta doença é apaixonante", afirmou o médico Alberto Ascherio, professor de epidemiologia e nutrição da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard (Massachussets, nordeste), um dos coautores da pesquisa.
O Mal de Parkinson é uma doença neurodegenerativa que causa rigidez muscular, dificuldade para iniciar movimentos, falta de equilíbrio e lentidão nas ações voluntárias.
Os neurologistas consideram que o ibuprofeno reduz a inflamação no cérebro que poderia contribuir para o desenvolvimento da doença.
O estudo foi publicado na versão on-line da revista Neurology, da Academia americana de neurologia. Os pesquisadores analisaram os dados médicos provenientes de 98.892 enfermeiras e de 37.305 homens, também profissionais de saúde.

Pesquisa encontra potencial alvo para um tipo de câncer de próstata

Arul Channaiyan, autor da pesquisa (Foto: University of Michigan Health System)
Cientistas da Universidade de Michigan, nos EUA, identificaram um alvo em potencial para tratar um tipo agressivo de câncer de próstata: o gene SPINK1. Ele ocorre apenas em 10% dos casos da doença, mas está associado a uma de suas formas mais agressivas.
Além disso, pode ser detectado na urina dos pacientes, o que permite aos urologistas fazer os exames de rotina com mais facilidade. O estudo foi publicado na edição desta quarta-feira da “Science Translational Medicine”.
O gene é um alvo ideal para um anticorpo monoclonal – tipo de tratamento dirigido para agir sobre uma molécula específica (neste caso, o SPINK1). Usando camundongos, os cientistas conseguiram diminuir os tumores em 60%.
Os pesquisadores descobriram ainda que o SPINK1 pode se ligar a um receptor chamado EGFR. Eles testaram uma droga chamada cetuximab, que é capaz de bloquear esse receptor e já está aprovada pela Administração de Alimentos e Drogas dos EUA (FDA, na sigla em inglês). Nos camundongos, o medicamento foi capaz de reduzir os efeitos cancerígenos do SPINK1 em 40%.
Com as duas drogas agindo simultaneamente, os tumores ficaram 74% menores. O efeito foi conseguido apenas nos tumores que mostravam o SPINK1, e nos demais não.
“Uma vez que o SPINK1 pode ser produzido na superfície das células, chamou nossa atenção enquanto alvo terapêutico. Aqui mostramos que um anticorpo capaz de ‘bloquear’ o SPINK1 conseguiu frear o crescimento de cânceres de próstata em camundongos que eram SPINK-positivos”, afirmou Arul Channaiyan, autor da pesquisa.Estudos anteriores que tentaram utilizar o cetuximab contra o câncer metastático de próstata tinham obtido resultados piores que os esperados, com benefícios em apenas 8% dos pacientes. Os pesquisadores sugerem que a explicação esteja no fato de que ele se aplique apenas a pacientes SPINK1-positivos.
Segundo o estudo, os efeitos colaterais medidos nos camundongos foram limitados, e pesquisas futuras terão de avaliar o que o tratamento pode causar em humanos. Os cientistas ainda procuram também uma compreensão mais clara da relação entre os índices elevados de SPINK1 e alguns tipos de câncer de próstata.

Mutações em célula-tronco induzida podem ser risco à saúde, diz estudo

Células-tronco induzidas malefício 1 (Foto: James Thomson / Universidade de Wisconsin-Madison)
A técnica de regredir células adultas a um estágio inicial de desenvolvimento, como se fossem células-tronco pluripotentes - capazes de gerar qualquer outra célula - pode causar mutações genéticas, segundo pesquisadores norte-americanos. Um estudo sobre a conclusão será publicado na revista "Nature" desta semana.
A equipe da Universidade de Califórnia em San Diego examinou 22 linhagens diferentes de células induzidas, obtidas de sete grupos de pesquisa, cada um com uma técnica diferente para tornar células adultas da pele em estruturas pluripotentes, capazes de gerar outros tecidos no corpo como o muscular e o neural.
Os pesquisadores notaram uma média de seis alterações por éxon - parte do genoma que contém instruções para a produção de proteínas. Com base no conhecimento da comunidade científica atual, os pesquisadores esperavam encontrar 10 vezes menos mutações do que o observado.
Para os autores do trabalho publicado na Nature, antes de utilizar as células reprogramadas em terapias com humanos, é preciso saber se o genoma é o mesmo que o do receptor e identificar possíveis mutações genéticas como aquelas que causam câncer.Segundo Kun Zhang, professor de bioengenharia na universidade, a reprogramação de células adultas de mamíferos afeta todo o genoma, podendo gerar mutações que provocam tumores e outras doenças.
O estudo foi financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) e pelo Instituto de Medicina Regenerativa da Califórnia.

Cientistas criam microscópio mais potente do mundo

Microscópio potente 1 (Foto: Nature Communications / via BBC)
Cientistas britânicos conseguiram fazer com que um microscópio ótico conseguisse enxergar objetos de cerca de 50 nanômetros (um metro dividido em um bilhão de partes), oferecendo um olhar inédito sobre o mundo "nanoscópico".
A técnica, que alcança a maior resolução de que se tem notícia, poderia ser utilizada para observar vírus, diz a equipe de pesquisadores.
Com a ajuda de minúsculas contas de vidro, o procedimento faz uso das chamadas ondas infinitesimais, emitidas muito próximas de um objeto e que normalmente se perdem. Os cientistas fazem com que as contas de vidro recuperem esta luz e refaçam o foco, canalizando-a para um microscópio comum.
O método permitiu aos pesquisadores ver com os próprios olhos níveis de detalhes normalmente só identificados por observação indireta, como a microscopia através da força atômica e varreduras com emissão de elétrons. Os detalhes foram publicados na revista acadêmica "Nature Communications".
Ondas leves natural e inevitavelmente se dispersam de tal maneira a limitar ao alcance do seu foco, ou o tamanho do objeto que pode ser capturado. As ondas infinitesimais que são produzidas na superfície dos objetos tendem a se enfraquecer com a distância - mas elas não estão sujeitas ao limite da difração.
Descoberta
Utilizar a luz visível - o tipo de luz captada pelo olho humano - para observar objetos dessa escala é, de certa maneira, romper as regras da teoria da luz. Normalmente, os menores objetos visíveis são definidos por um parâmetro conhecido como limite da difração.
Se capturadas, as ondas infinitesimais oferecem uma resolução muito mais alta que a obtida por métodos padrões de captação de imagens, explica o pesquisador do Centro de Pesquisa de Processamento a Laser da Universidade de Manchester, Lin Li.
Observação
Para observar os objetos, a equipe colocou contas de vidro com tamanho entre dois e nove milionésimos de metro na superfície das amostras.
Microscópio potente 2 (Foto: Nature Communications / via BBC)
As contas coletam a luz transmitida através das amostras, captando as ondas infinitesimais e focando-as de maneira a serem observadas por um microscópio comum.

A equipe conseguiu observar objetos minúsculos, como marcas em escala nanométrica em discos de Blu-Ray.
Mas o professor Li acredita que a técnica possa ser utilizada em estudos biológicos mais ambiciosos, nos quais ações em nanoescala são difíceis de observar diretamente. "A área onde acreditamos haver interesse é a observação de células, bactérias e até vírus", afirma Li.
Métodos indiretos de observação conseguiram enxergar objetos a uma resolução de um nanômetro e até os traços de uma única molécula. Mas nenhum deles é tão simples quanto a observação direta através do microscópio.
"Usar a tecnologia corrente requer muito tempo. Por exemplo, usar microscopia ótica fluorescente requer dois dias para preparar a amostra e a taxa de sucesso dessa preparação é de 10 a 20%", exemplifica o pesquisador. "Isto ilustra o ganho potencial de introduzir métodos de observação direta."

Estudo revela que falta de exercício favorece câncer de intestino

Um estudo publicado nesta quarta-feira (2) pelo "British Journal of Cancer" revela que pessoas que não fazem exercício sofrem mais risco de desenvolver câncer de intestino. O trabalho, baseado em 20 pesquisas sobre o câncer, concluiu que pessoas muito ativas têm até três vezes menos probabilidades de desenvolver pólipos no intestino, lesões benignas que podem gerar câncer no futuro.
"Há tempo sabemos que um estilo de vida ativo pode proteger contra o câncer de intestino, mas este é o primeiro estudo que mostra que uma redução do número de pólipos é a explicação mais plausível", destaca Kathleen Wolin, da Faculdade de Medicina da Universidade Washington de St Louis (Missouri).
A Cancer Research UK, ONG que publica o British Journal of Cancer, destaca que não é preciso exercício intenso para limitar os riscos. "Apenas meia hora de exercício 'moderado' por dia e manter um peso razoável" são suficientes."O exercício tem muitos benefícios: estimula o sistema imunológico, reduz a inflamação do intestino e ajuda a baixar os níveis de insulina, todos fatores que podem influenciar no risco de desenvolver pólipos", afirma Wolin.
Outro estudo, publicado no site do British Medical Journal (BMJ), revela que mulheres que passaram da menopausa e que fumam ou fumaram têm maior risco de desenvolver câncer de seio.
O estudo concluiu que mulheres após a menopausa que fumam ou fumaram têm 16% mais risco de desenvolver câncer de seio que as demais.
O risco também é maior para mulheres fortemente expostas ao tabagismo passivo em algum momento de sua vida. O estudo analisou quase 80 mil mulheres, de 50 a 79 anos, que foram acompanhadas durante 10 anos.