quarta-feira, 4 de maio de 2011

Pílula contra asma é tão eficiente quanto bombinhas, diz estudo

Um estudo da Universidade de East Anglia, na Reino Unido, mostra que drogas em formato de pílula podem ser menos incômodas e tão eficientes quanto os inaladores para combater a asma. O trabalho foi divulgado na revista médica “New England Journal of Medicine” nesta quarta-feira (4).
Nas regras de prescrição para o combate da asma no Reino Unido, o uso de pílulas é apenas a terceira opção, ficando atrás das bombinhas, já que a comunidade científica julgava os inaladores melhores para o tratamento.A pesquisa contou com 650 pacientes com asma crônica, acompanhados durante dois anos. Durante esse tempo, os cientistas norte-americanos descobriram que as pílulas do remédio “Singulair” e “Accolate” controlaram a doença tão bem quanto as bombinhas com esteroides normalmente usadas por asmáticos.
Segundo os responsáveis pelo estudo, as pílulas seriam úteis a 80% dos pacientes que apresentam dificuldades para usar as bombinhas ou que não queiram receber esteroides.
A asma é uma doença inflamatória que reduz ou obstrui as vias aéreas de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. Os músculos dos brônquios dos pacientes ficam mais contraídos e o orifício pelo qual o ar chega aos pulmões é menor. Os sintomas mais comuns ao portador são: falta de ar, sensação de aperto e chiado no peito e tosse.

Nicotina e cocaína têm modos de atuação semelhantes no cérebro

Uma pesquisa da Universidade de Chicago, nos EUA, descobriu que a nicotina e a cocaína acionam os mesmos mecanismos do cérebro quando são consumidas pela primeira vez. O estudo saiu na publicação científica “Journal of Neuroscience”.
Os neurocientistas aceitam que o aprendizado e a memória sejam codificados pelo cérebro por meio de um processo chamado plasticidade sináptica, que é o fortalecimento e o enfraquecimento das conexões entre os neurônios. Quando dois neurônios se ativam com muita frequência, a ligação entre eles fica mais forte, e eles se tornam mais capazes de interagir.
O atual estudo buscou compreender melhor como funciona o processo de plasticidade provocado pelo cigarro. Os pesquisadores fatiaram cérebros de ratos dissecados e colocaram as fatias numa solução com concentração de nicotina semelhante à de um cigarro.Em pesquisas anteriores, os cientistas já tinham descoberto que a nicotina desencadeia esse processo numa região do cérebro chamada área tegmental ventral (VTA, na sigla em inglês). É nessa região que se produz a dopamina, neurotransmissor que atua sobre o sistema de recompensas do cérebro. Esse mecanismo está relacionado ao prazer em atividades vitais para a espécie, tais como alimentação e sexualidade, mas também desempenha um papel importante nas relações de vício.
Nos testes, eles descobriram que um receptor da dopamina chamado D5, que já era associado à ação da cocaína, também é necessário para que a nicotina atue no cérebro. “Descobrimos que a nicotina e a cocaína empregam mecanismos similares para induzir plasticidade sináptica nos neurônios da dopamina na VTA”, disse Danyan Mao, um dos responsáveis pelo estudo.
“Sabemos com certeza que há grandes diferenças na forma como essas drogas afetam as pessoas, mas a ideia de que a nicotina trabalha com as mesmas conexões que a cocaína indica por que tantas pessoas têm dificuldades em largar o tabaco, e por que tantos que experimentam a droga acabam se viciando”, afirmou Daniel McGehee, neurocientista da mesma universidade que também se dedica a este campo de estudos.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Droga usada para combater HIV pode servir contra câncer de colo uterino

Uma equipe da Universidade de Manchester, no Reino Unido, revela que a droga lopinavir, usada no combate ao vírus HIV também pode combater o vírus do papiloma humano (HPV, na sigla em inglês), que pode causar câncer de colo uterino. A descoberta foi divulgada na publicação científica “Antiviral Therapy”.
Apesar de já existirem vacinas contra o HPV, as imunizações não funcionam em mulheres que já adquiriram o vírus. Outro problema está no fato de nem todas as versões do micro-organismo serem combatidas pelas vacinas disponíveis atualmente. Há ainda o problema do preço: são medicamentos caros, fabricados por poucas empresas no mundo.Segundo os cientistas, o medicamento consegue alterar um sistema de defesa do vírus em células infectadas nas mulheres. O estudo consolida um trabalho anterior da mesma equipe, feito em 2006, que identificou o efeito do lopinavir contra cânceres ligados ao HPV em testes de laboratório.
Mas apesar do otimismo, a equipe de Manchester alerta que o efeito do lopinavir contra o HPV só acontece quando são administradas doses até 15 vezes maiores que as recebidas normalmente por pacientes com Aids. Para os cientistas, o melhor método de aplicação seria por meio de cremes. Atualmente, o medicamento é disponível em formato de comprimidos.
O HPV mata - por meio do desenvolvimento de tumores malignos – 290 mil pessoas por ano. O vírus, transmissível sexualmente, ainda pode causar outros tipos de câncer na boca, no pescoço e no ânus de homens e mulheres.

‘Seria bom ter embrião que revelasse a diversidade brasileira’, diz cientista

Lygia Pereira 1 (Foto: Arquivo G1)
Três anos após o anúncio da criação da primeira série de células-tronco com origem em embriões no Brasil, um artigo publicado nesta segunda-feira (2) na revista científica "Cell Transplantation" mostra que a linhagem não é compatível com a população do país para a realização de terapias.
A criação das primeiras células-tronco embrionárias em solo nacional foi divulgada em 2008.
"A publicação científica sobre esse feito só saiu agora", afirma Lygia Pereira, geneticista e professora do departamento de Genética e Biologia Evolutiva da Universidade de São Paulo (USP).
"Esse é o primeiro artigo sobre células embrionárias feitas aqui. Isso põe a gente no mapa. Começamos a aparecer no radar da comunidade científica internacional como uma nação capaz de gerar células-tronco embrionárias."
Mas a aplicação da série que ficou conhecida como "BR-1" nos habitantes do Brasil esbarraria na possibilidade de rejeição, do corpo do pacientes, das células transplantadas.
"Quando nós comparamos as células da 'BR-1' com um perfil genético da população brasileira, para nossa surpresa, vimos que ela não era compatível com ninguém", explica a pesquisadora, autora principal do artigo. Ao rastrear a origem do material usado para gerar as células, a equipe coordenada por Lygia descobriu que 98% era de origem europeia.
Pelos dados do IBGE sobre a distribuição da população no país, provavelmente a ‘BR-1’ representa um padrão mais caucasiano, herdado de um universo de pessoas com maior poder aquisitivo", afirma a cientista.
A pesquisa também mostrou como pode ser difícil dar conta da compatibilidade de um país tão diverso como o Brasil. Comparando outras 22 linhagens de células embrionárias geradas em outros países, apenas 0,011% dos habitantes brasileiros seriam aptos a receber terapias (aproximadamente 21 mil pessoas).
Entenda como a Lei de Biossegurança permitiu os estudos sobre células-tronco
Primeiros passos
O Brasil é o 18º país a publicar um estudo relatando o cultivo de células-tronco embrionárias em território nacional (confira a lista acima). "Nós queríamos ter autonomia para fazer terapia celular do começo ao fim", afirma Lygia.
"Desde gerar a célula embrionária até, eventualmente, transformá-la em um neurônio e aplicála, por exemplo, em um paciente com Parkinson."

Para testar a hipótese de que células-tronco embrionárias colhidas no Brasil seriam mais compatíveis com os habitantes daqui, os cientistas do artigo realizaram um teste conhecido como HLA (sigla em inglês para “Antígenos de Leucócitos Humanos”, em tradução livre), comum para ver o risco de rejeição em transplantes convencionais.
"Esses primeiros estudos serão fundamentais para testar a rejeição às células-tronco embrionárias", diz a cientista.
Melhores embriões
Para a cientista, o material usado durante a pesquisa não é fiel à varieadade de etnias existente no Brasil, já que apenas uma parcela privilegiada da população tem acesso às clínicas privadas de fertilização in vitro.
"A Lei de Biossegurança deixa a gente usar esses embriões congelados nas clínicas de reprodução humana. Mas, em geral, as clínicas privadas são as únicas que congelam embrião. As públicas não geram embriões extras, não congelam esse material", explica Lygia.
"Como são procedimentos caros, nós discutimos no artigo qual fração da população brasileira pode contar com as clínicas privadas de fertilização in vitro. Seria interessante ter acesso a embriões que representem mais a diversidade étnica brasileira.”
Alternativas
Uma saída para a falta de compatibilidade seria o fornecimento, por parte de hospitais e clínicas públicas, de material embrionário de acordo com as regras impostas pela Lei de Biossegurança.
“Se um dia nós conseguirmos provar que as iPS são equivalentes às embrionárias, seria possível realizar estudos com uma amostragem realmente fiel da população brasileira”, diz a geneticista da USP.Outra opção seria o uso de células induzidas a pluripotência (iPS, na sigla em inglês) - células adultas que são "regredidas" a um estágio no qual elas podem se transformar em outras do corpo como cardíacas e neurais.
Mas esta técnica também traz risco, segundo o artigo, pois requer a manipulação genética, o que poderia trazer risco de tumores e de rejeição durante a aplicação em pacientes.

Cientistas identificam receptor dos vírus Ebola e Marburg

Em verde, a proteína TIM-1, em células das vias aéreas (Foto: University of Iowa / Divulgação)
Uma equipe de pesquisadores liderada pela microbióloga Wendy Maury, da Universidade de Iowa, nos EUA, identificou uma proteína que age como receptor para os vírus Ebola e Marburg. O estudo foi publicado pela revista científica “PNAS”.
A proteína se chama TIM-1 fica dentro das células, especialmente nas epiteliais. Essas células ficam em superfícies com mucosa, como os olhos e as vias aéreas. A descoberta de que a proteína ocorreu por meio de experimentos com uma nova abordagem bioinformatizada, e foi confirmada em experimentos subsequentes.
Os vírus Ebola e Marburg têm estruturas e origens parecidas. Eles causam febre hemorrágica nos humanos e em outros primatas, e a infecção provocada pode levar a morte em mais da metade dos casos registrados. Os dois surgiram na mesma região, no Leste da África, e ainda ocorrem surtos das doenças com certa frequência.
“Este é o primeiro receptor identificado para os vírus Ebola e Marburg”, afirmou Maury. “Isso é importante, porque se você conseguir identificar e compreender o primeiro passo da infecção – como o vírus entra nas células –, então pode ser que você consiga evitar a infecção cortando pela raiz”, completou.
Os pesquisadores testaram a possibilidade de bloquear a entrada dos vírus nas células. Usando um anticorpo chamado ARD5, conseguiram, com bastante eficiência, impedir que os vírus ficassem presos ao TIM-1. Esse passo, porém, não é suficiente para a criação de alguma vacina.
“Está claro que há outros receptores para o Ebola, pois, embora o TIM-1 seja encontrado em muitas células epiteliais, não é encontrado em tipos celulares importantes que são infectados pelo vírus”, disse Maury. “As células epiteliais não são um alvo tão importante para o vírus como outros tipos, mas podem ser o ponto de entrada para o Ebola”, explicou a cientista.

sábado, 30 de abril de 2011

Saúde vacina 6,4 milhões contra a gripe neste sábado

Idoso é vacinado contra gripe em posto de saúde de Brasília neste sábado (Foto: Agência Brasil)
Mais de 6,4 milhões de pessoas foram vacinadas neste sábado (30) contra a gripe em todo o país, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde. O número corresponde a quase 22% da meta estabelecida pelo ministério para este ano, que é de cerca de 24 milhões de pessoas.

A campanha nacional de vacinação foi aberta na última segunda-feira (25) e vai até o dia 13 de maio. Devem receber a vacina idosos, índios, gestantes, crianças com idade entre 6 meses e 2 anos, além de trabalhadores de saúde.
A vacina só não deve ser aplicada em pessoas com alergia a ovo de galinha e portadores de doença neurológica. Quem estiver com febre deve adiar a vacinação.
Neste sábado, "dia D" da vacinação, 65 mil postos de saúde ficaram abertos em todo o país. Até o dia 13 de maio, 33 mil postos estarão abertos diariamente para vacinação. As pessoas devem procurar a secretaria de saúde do seu município ou estado para se informar sobre endereços e horáriod de funcionamento dos postos.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Cientistas explicam como grupo de bactérias fica resistente a drogas

Bactéria antibióticos 1 (Foto: Institutos de Saúde dos EUA)
Cientistas da Universidade Estadual Penn, nos Estados Unidos, descobriram como um grupo de bactérias evoluiu a ponto de se tornar resistentes a antibióticos. A pesquisa foi descrita na edição desta semana da revista "Science".
O segredo da pesquisa de Booker está na comprensão de como a presença de um gene chamado "cfr" engana a ação dos antibióticos nos ribossomos das bactérias - "usinas" dentro dos micro-organismos responsáveis por produzir os meios necessários à sobrevivência.A pesquisa foi coordenada pelo professor Squire Booker e pode ajudar os cientistas, no futuro, a criarem substâncias para prevenir infecções hospitalares e a propagação das bactérias à população.
O grupo de Booker possui agora um modelo em "3D" para entender exatamente - no nível molecular - como o gene torna a célula da bactéria "indestrutível" pelas drogas atuais.
Mais tarde, o mesmo gene foi encontrado em outro tipo de bactérias, as Staphylococcus aureus, isoladas nos Estados Unidos, México, Brasil, Espanha, Itália e Irlanda. Resistentes a sete tipos de antibióticos, esses micro-organismos têm causado infecções hospitalares em todo o mundo. Normalmente são encontrados na pele e nas mucosas do nariz em humanos.Durante estudos anteriores, os cientistas descobriram que o gene havia se desenvolvido em bactérias Scaphylococcus sciuri e era responsável por controlar a produção de uma proteína fundamental para a resistência a antibióticos.
Para saber como proteína regulada pelo gene "cfr" se comporta nas bactérias, a equipe de Booker estudou um processo conhecido como metilação - quando enzimas "marcam" uma região do nucleotídeo, a molécula responsável por servir da base ao DNA e ao RNA nas células.
Eles descobriram que a proteína regulada pelo gene "cfr" marca o nucleotídeo em uma região diferente da comum. Isso faz com que a ação dos antibióticos nos ribossomos - que normalmente causam a destruição da "usina" e, como consequência, a morte da bactéria - deixe de existir.
Segundo Booker, o próximo passo da pesquisa é usar o novo conhecimento para desenvolver novas drogas para serem administradas junto aos antibióticos tradicionais. Para o pesquisador, conhecer o mecanismo pelo qual as bactérias 'fogem" à ação dos antibióticos é o primeiro passo para combater a resistência em todo o mundo.