sexta-feira, 25 de março de 2011

Técnica torna célula-tronco de dente tão boa quanto embrionária

O laboratório de genética do Instituto Butantan, órgão da Secretaria da Saúde de SP, desenvolveu uma técnica que abre caminho para o tratamento de várias doenças - como doenças motoras, imunológicas, de regeneração de ossos e nervos, na reconstrução de células dos músculos, cartilagem e outros tecidos, e enfermidades psiquiátricas. A técnica se constitui em reprogramar células extraídas de dente de leite, tornando-as capazes de criar qualquer célula e tecido.
A pesquisa demonstrou que as células-tronco adultas da polpa de dente de leite podem ter a mesma versatilidade de células-tronco embrionárias, retiradas de embriões de poucos dias. "É como se conseguíssemos pegar uma célula de uma flor e a transformássemos novamente em muda, capaz de originar qualquer parte da flor. Com a descoberta nos igualamos a países desenvolvidos que trabalham com pesquisas de ponta", explica Irina Kerkis, do laboratório de genética do Butantan.
Antes, entre os países desenvolvidos, somente a China desenvolvia pesquisas de ponta nesta área. Outro benefício da técnica é que ela não é invasiva, além de ser mais rápida e barata que outros métodos.

Comissão propõe tratar consumo de drogas como questão de saúde

Depois de 18 meses de trabalho, integrantes da Comissão Brasileira Sobre Drogas e Democracia (CBDD) elaboraram um documento que propõe uma nova abordagem no combate ao uso de drogas. O relatório, apresentado após reunião na manhã desta sexta-feira (25), na Fiocruz, será encaminhado ao governo federal, através dos ministérios da Justiça e da Saúde.

A principal proposta é distinguir o usuário que, segundo o documento, deve ser tratado como uma questão de saúde pública, do traficante, que deve responder pelo crime. Uma das ideias é usar a experiência de Portugal que, desde 2001, a posse e o porte para o consumo pessoal de todas as drogas foram descriminalizados.

De acordo com a comissão, a legislação não é muito clara. Os membros da comissão, formados por especialistas de várias áreas, pretendem ainda buscar a adesão popular em todo o país, inclusive através das redes sociais. O documento, que vai ser submetido aos ministérios da Saúde e Justiça, também será encaminhado ao Congresso Nacional.

"Estamos num processo de amadurecimento depois de um ano e meio de trabalho e chegamos a algumas constatações muito evidentes. A forma de encarar o problema da gravidade das drogas ilícitas precisa ter uma nova atitude, uma nova abordagem que supere uma visão exclusivamente repressiva", afirmou o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha.
"Está demonstrado que o modelo atual de guerra às drogas representa um fracasso total do ponto de vista internacional. Mas é preciso que fique claro que a abordagem desse tema não seja de forma nenhuma confundida com uma tolerância, com a visão de que nós podemos aceitar a violência, o tráfico de drogas, da forma como ela se organiza no circuito da sociedade brasileira", observou Gadelha.
“O problema da polícia é o bandido. O consumo de droga, seja ele o álcool, o tabaco, a maconha ou o terrível crack, precisa de assistência e saúde. Já o uso disso para efeito criminal, aí sim é problema da polícia e estamos juntos”, afirmou Rubem César Fernandes, presidente do Viva Rio.

Segundo Rubem César, apesar de ter havido um avanço, a lei ainda é vaga. “Ela não define com clareza a diferença entre uso e o tráfico. Acaba a decisão ficando na mão do policial. É uma coisa que confunde todos nós”, disse.

Cientistas desvendam como o câncer cria resistência à quimioterapia


Uma pesquisa da Universidade do Estado da Louisiana, nos EUA, conseguiu entender um mecanismo pelo qual os tumores se defendem da quimioterapia e da radioterapia. A descoberta pode ser um passo importante no desenvolvimento de novas técnicas que aumentem a eficiência dos tratamentos contra o câncer.
Nos experimentos, os cientistas usaram a cisplatina – uma droga quimioterápica normalmente aplicada como primeiro combate contra vários tipos de câncer. Eles descobriram que a redução da produção de uma proteína específica, chamada BIN1, altera o processo de reparo de DNA e, portanto, o desenvolvimento do tumor.
“Nosso estudo providencia um mecanismo forte e inédito pelo qual o câncer adquire resistência ao dano no DNA”, acredita Daitoku Sakamuro, professor de patologia da Universidade da Louisiana que liderou a equipe de pesquisadores.
Além de oferecer um caminho para futuros estudos, a descoberta pode ajudar a prever a eficiência que um tratamento pode ter em cada paciente por meio da avaliação dos níveis dessa proteína, sugerem os pesquisadores.
O estudo foi divulgado pela revista “Science Signaling”, da Associação Americana para Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Mapeamento genético ajuda a entender câncer de sangue

Um estudo publicado na quarta-feira (23) pela revista britânica Nature mostra a relação mais completa já estabelecida entre os prováveis fatores genéticos que provocam o mieloma múltiplo, uma forma comum de câncer de sangue, na qual os leucócitos (células brancas) se multiplicam excessivamente.
O mapeamento foi feito a partir de pesquisas com o DNA de 38 portadores da doença, em um estudo realizado em parceria por 21 instituições científicas da América do Norte.
As células sanguíneas brancas são produzidas na medula óssea e fabricam os anticorpos que ajudam o sistema imunológico a defender o organismo. O mieloma múltiplo ataca estas defesas, deixando os pacientes extremamente expostos a infecções.
A taxa de sobrevivência da doença é pequena se comparada a de outros tipos de câncer. Cerca de 20.000 novos casos são diagnosticados nos Estados Unidos todos os anos, e menos de 40% dos pacientes vivem por mais de cinco anos.
O sequenciamento genético olha através do código do DNA em busca de pequenas variações que poderiam explicar porque algumas pessoas correm o risco de desenvolver a doença e outras, não.
O custo do sequenciamento caiu bastante nos últimos anos, o que significa que os cientistas agora são capazes de ampliar ainda mais sua rede de conhecimentos genéticos. Estudos anteriores sobre o mieloma múltiplo, por exemplo, trabalhavam apenas sobre os dados genéticos de um único paciente.
"Pela primeira vez, nós conseguimos ver em nível molecular o que pode ser a causa deste mal", comemorou David Siegel, do John Theurer Cancer Center da Universidade de Hackensack, em New Jersey.
"Já sabemos o que provoca muitos tipos de câncer, mas até hoje tínhamos poucas pistas sobre as causas do mieloma", explicou.
Uma análise preliminar das variações do DNA sugere haver caminhos comuns - especialmente no sistema de fabricação de proteínas - que permitem a uma célula cancerosa sobreviver, invadir e se multiplicar no organismo.
Entender mais sobre estes caminhos comuns levará os cientistas a uma compreensão maior sobre o funcionamento básico do mieloma - e, mais tarde, permitirá o desenvolvimento de medicamentos capazes de combatê-lo, esperam os pesquisadores.
Este é um bom exemplo de como a análise genética pode ajudar a orientar o campo farmacêutico na direção certa de maneira dramática", estimou Todd Golub, diretor do programa de pesquisa do câncer no Broad Institute of Harvard University e no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Espermatozoides são criados em laboratório pela 1ª vez no Japão

Casal de lésbicas quer que doador de esperma pague pensão. (Foto: Ilustração:Arte/G1)

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Yokohama, no Japão, conseguiu produzir espermatozoides saudáveis de camundongos em laboratório. Segundo a equipe do departamento de urologia, liderada pelo professor Takehiko Ogawa, o método pode ser melhorado no futuro para uso em humanos, sendo útil para diagnosticar e tratar problemas de fertilidade masculina.
O feito é explicado na edição desta quinta-feira (24) da revista "Nature". A técnica consiste em retirar pequenos pedaços dos testículos de camundongos com idade entre 3 a 5 dias, por meio de uma cirurgia conhecida como biópsia. Os tecidos foram levados em seguida para cultivo em placas com um material que garantiu a sobrevivência das células.
Como foram retirados de roedores bebês, os tecidos eram formados por um estágio anterior dos espermatozoides - conhecido como espermatogônias - que deram origem às células de reprodução adultas depois de dois meses.
É a primeira vez que espermatozoides de mamíferos são gerados em laboratório. A criação dessas células masculinas é conhecida como espermatogênese e costuma demorar 64 dias em humanos e 35 em ratos, segundo os pesquisadores. Até a façanha da equipe japonesa, como a espermatogênese é um processo demorado e complexo, os cientistas tinham dificuldade para manter a divisão celular nas placas de vidro.Após serem criados, os espermatozoides foram testados em óvulos para os cientistas confirmarem se podiam gerar novos camundongos. A fertilização foi feita "in vitro" por meio de uma técnica que injeta o esperma diretamente no interior do óvulo com uma microagulha de vidro. O resultado foi o nascimento de novos roedores, que depois tiveram filhotes de forma natural.
O grupo de Tanehiko começou a estudar a possibilidade de gerar espermatozoides em laboratório há muitos anos. O objetivo é o de entender melhor como funcionam essas células e, especialmente, como mecanismos nas moléculas dessas estruturas podem levar à infertilidade.
Gene específico responsável por produção de esperma em animais resistiu à evolução (Foto: Rodolfo Clix)



quarta-feira, 23 de março de 2011

Vacinação contra raiva em cães e gatos começa em julho em 8 estados

O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira (23) o calendário de vacinação de cães e gatos contra a raiva.
De acordo com o ministério, a campanha será realizada em duas etapas: em julho, em oito estados, e em setembro, em outros 16 e no Distrito Federal (veja tabela a baixo).
Rio Grande do Sul e Santa Catarina não fazem campanha porque não têm circulação do vírus da raiva, segundo o ministério.
Ao todo, o governo federal vai adquirir 32 milhões de doses de vacinas, que começam a ser distribuídas no mês de maio para os estados.
A meta do ministério é aplicar a vacina - produzida pelo Instituto de Tecnologia do Paraná - em cerca de 29 milhões de animais.
Segundo o Ministério da Saúde, todas as vacinas utilizadas na campanha passam por testes e, só depois de aprovadas e liberadas pelo Ministério da Agricultura, serão distribuídas para os estados.
No ano passado, a campanha de vacinação contra a raiva foi suspensa em todo o país depoisde constatadas reações à vacina
Neste ano, durante a vacinação, haverá um sistema de monitoramento, com notificação em formulário eletrônico para o Ministério da Saúde em casos de reações à vacina
O CALENDÁRIO DA CAMPANHA *
JulhoSetembro
AlagoasAcre
CearáAmapá
MaranhãoAmazonas
Mato GrossoBahia
PernambucoDistrito Federal
PiauíEspírito Santo
Rio Grande do NorteGoiás
SergipeMato Grosso do Sul
 Minas Gerais
 Pará
 Paraíba
 Paraná
 Rio de Janeiro
 Rondônia
 Roraima
 São Paulo
 Tocantins
* Rio Grande do Sul e Santa Catarina não fazem campanha porque não têm circulação do vírus da raiva.
Fonte: Ministério da Saúde