segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Triglicérides pode ser mais perigoso que colesterol para AVC, diz estudo

Um estudo de pesquisadores na Dinamarca mostrou que o nível de triglicérides sem jejum está relacionado a um risco maior de AVC em homens e mulheres. Já o colesterol alto esta associado a tal risco apenas entre os homens. A pesquisa, que analisou dados de 33 anos, foi publicada pelo jornal científico “Annals of Neurology”.
Evidências médicas sugerem que o alto nível de triglicérides sem jejum demonstra uma grande quantidade de fragmentos de lipoproteínas, partículas semelhantes ao LDL – conhecido como “colesterol ruim”. Ambos contribuem para a formação de placas que podem levar ao entupimento das vias coronarianas.
“Interessantemente, as guias atuais de prevenção de derrames têm recomendações quanto a níveis desejáveis de colesterol, mas não de triglicérides sem jejum”, disse a autora do artigo, Dra. Marianne Benn, do Hospital Universitário de Copenhague.
“Nosso estudo foi o primeiro a examinar o risco de derrame para níveis muito altos de triglicérides sem jejum em comparação com níveis muito altos de colesterol na população geral”, prosseguiu.
Mulheres com o triglicérides em 443 mg/dL têm uma possibilidade quase 3,9 vezes maior de sofrerem um derrame, em comparação com as que tem o nível em até 89 mg/dL. Entre os homens, com estes mesmos indicadores, o risco é 2,3 vezes maior. No entanto, quando o nível de colesterol passa de 348 mg/dL, o risco relativo sobe para 4,4.
O estudo acompanhou 7.579 mulheres e 6.372 homens, todos brancos e de origem dinamarquesa. Seus dados começaram a ser coletados entre 1976 e 1978 e foram analisados ao longo de até 33 anos.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças coronarianas são a principal causa de mortes no mundo. A estimativa mais recente, de 2004, apontou que 17,1 milhões de pessoas morriam em decorrência delas por ano; 5,7 milhões por causa de derrames.

Estudo identifica gene que dificultaria tratamento de câncer

Pesquisadores espanhóis identificaram um gene, a ciclina E, que é responsável pela resistência ao tratamento do câncer de mama do subtipo HER2 positivo, segundo os cientistas anunciaram nesta segunda-feira em comunicado.
O estudo, liderado por Josep Baselga, do centro hospitalar Vall d'Hebron-Instituto de Oncologia (VHIO), em Barcelona, e em colaboração com o Massachusetts General Hospital Cancer Center (MGH-CC) de Boston, poderia ser traduzido em um tratamento aprimorado capaz de evitar que as pacientes com este subtipo de câncer desenvolvam resistência ao tratamento médico atual.
O centro hospitalar espanhol indicou nesta segunda-feira que o gene ciclina E é a razão pela qual algumas mulheres com esse tipo de câncer desenvolvem resistência ao tratamento com o medicamento "trastuzumab".
Segundo os pesquisadores, esta descoberta abre agora uma via para buscar algum inibidor ou bloqueador da ciclina E. Atualmente, o remédio mais estudado e utilizado na prática clínica contra este subtipo de tumor é o trastuzumab, um anticorpo criado para agir especificamente em uma região extracelular do receptor HER2.
Este anticorpo aumenta as chances de sobrevivência das pacientes com câncer de mama HER2 positivo, mas seu benefício clínico está limitado pela resistência de algumas mulheres. As mesmas fontes explicaram que pessoas que apresentam HER2 e ciclina E, o tratamento com trastuzumab só é efetivo em 33,3% das pacientes, contra 87,5% de resposta no grupo HER2 positivo, mas sem detecção de ciclina.
Na última década, o diagnóstico precoce do câncer, um acompanhamento mais exaustivo das pacientes e, sobretudo, a tipificação do tumor em três grandes subtipos segundo padrões moleculares - os receptores hormonais positivos, HER2 positivos ou ausência de ambos - aumentaram a sobrevivência a esta patologia.
A classificação dos tumores em subtipos permitiu o desenvolvimento clínico de tratamentos específicos para cada um deles, mas apesar destes avanços, ainda há pacientes que não respondem da forma esperada.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Pesquisa mostra que marcar o parto aumenta os riscos para a mãe

Cientistas da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, divulgaram uma pesquisa dizendo que marcar data para o parto pode ter consequências negativas para as mães. Os números publicados pelo “Journal of Reproductive Medicine” mostram que elas perdem mais sangue e passam mais tempo no hospital que nos partos naturais.
Aproximadamente 34% das mulheres que optaram pela indução tiveram parto cesariano. Dentre as que tiveram um trabalho natural de parto, apenas 20% precisaram dessa cirurgia. Os pesquisadores ressaltam que, embora seja muitas vezes vista como uma cirurgia simples, a cesárea aumenta os riscos de infecções e complicações respiratórias, além do tempo de recuperação.O estudo acompanhou 485 mães que deram a luz do primeiro filho no centro médico da Universidade de Rochester em 2007. Por isto, os dados dizem respeito apenas ao primeiro parto de uma mulher e não devem ser levados em consideração caso a mãe já tenha filhos. Contudo, é uma análise confiável, já que os pesquisadores analisaram também as fichas médicas ao elaborar as estatísticas.
“Os benefícios de um procedimento cirúrgico devem sempre superar os riscos. Se não há benefícios médicos para induzir o trabalho de parto, é difícil justificar a escolha por fazê-lo, uma vez que sabemos que aumenta os riscos para a mãe e o bebê”, afirmou Christopher Glantz, autor da pesquisa.
Dentre os motivos pelos quais o parto induzido tem ganhado adeptos, os cientistas listaram a conveniência de marcar o horário e a certeza de dar a luz com o médico que acompanhou a gestação
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Conciliar cigarro e atividade física pode aumentar risco, dizem médicos

Imagens do ex-jogador Ronaldo e do lateral-esquerdo Roberto Carlos em festa promovida em sua casa para o lutador de MMA (Mixed Martial Arts) Anderson Silva, na noite desta quinta-feira (17). (Foto: José Mariano/AE)
Fazer atividades físicas está longe de ser suficiente para compensar os danos causados pelo tabagismo. E esse fato, atestado por médicos, não pode ser contornado nem por esportistas profissionais, como o ex-jogador Ronaldo e o lateral-esquerdo Roberto Carlos, fotografados fumando em cenas divulgadas na sexta-feira (18).
A médica pneumologista Elnara Negri, do Hospital Sírio-Libanês, alerta para o risco de o fumante se enganar com uma suposta compensação trazida pela atividade física. “O exercício moderado pode até combater os radicais livres, protegendo um pouco o corpo contra as lesões trazidas pelo cigarro”, afirma. “Mas isso é muito pouco, com o tempo o efeito do fumo passa a ser muito mais intenso”, alerta
.lutador Paulo deyllot (Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução)

Faixa marrom de jiu-jitsu, o empresário Paulo Deyllot, de 40 anos, faz exercícios desde os 15 anos e concilia uma rotina de atividades físicas com o tabagismo. Foi praticante de fisioculturismo, corrida, musculação e há 7 anos é um fanático por artes marciais. “Sou suspeito para falar porque sempre pratiquei exercícios e também fumo, desde os 16 anos. A atividade física tira a vontade de fumar”, diz Deyllot, que é proprietário de uma academia de ginástica no centro de São Paulo.
O empresário admite que o cigarro tira as energias – ele fuma um maço por dia. “Fumar na academia não dá. Fumo sempre à tarde e à noite, nos intervalos”, acrescenta ele. “Qualquer atividade física ajuda os fumantes a reduzir a quantidade de cigarro, tira a ansiedade. Mas o jiu-jitsu me ajuda muito, caso contrário eu fumaria mais”, desabafa ele.
Em plena Avenida Paulista, o engenheiro Oswaldo Câmara, de 59 anos, fumava um cigarro após o almoço no início da tarde desta sexta-feira (18). Mas ele diz que faz caminhadas de uma hora todos os dias, “para reduzir o cansaço e o estresse”.
“Caminho sempre à noite, na rua mesmo. Como passo viajando, não tenho como ir todos os dias à academia. Mas a caminhada me ajuda a ter mais energias”, diz o engenheiro. “Na minha idade e fumante, eu tenho que me preocupar com a saúde e fazer atividade física”, acrescenta Câmara.
engenheiro (Foto: Tahiane Stochero/G1)
Especialistas alertam para riscos
Antes ou depois das práticas esportivas, o fumo traz prejuízos, especialmente à capacidade de aproveitamento da respiração, condição necessária para o bom rendimento das atividades. “Quando você fuma e logo em seguida faz exercício físico, isso é desastroso, pois a sua pressão arterial aumenta. Para quem tem problema de hipertensão pode levar a complicações”, explica a médica Elnara.
O cigarro é também um fator de risco para doenças coronarianas. Por isto, quem fuma há anos e resolve praticar atividades físicas está exposto ao risco de infarto. “Antes de começar a fazer atividade física, (o fumante) precisa fazer um check-up cardiovascular e pulmonar completo”, recomenda Elnara. Caso os exames mostrem que o paciente está apto, ele pode se exercitar  com níveis graduais de esforço, acompanhado de um especialista.
De acordo com o médico do esporte e fisiatra Mário Sérgio Rossi Vieira, o cigarro piora o rendimento tanto de atletas profissionais quanto de pessoas que praticam exercícios físicos regularmente. “O cigarro vai afetar entre 20% a 30% da capacidade cardiovascular do fumante”, explica o especialista do Hospital Albert Einstein.
Mário Sérgio alerta que nem mesmo quem fuma só depois dos exercícios escapa dos danos ao corpo. “Cigarro depois de exercício físico é perigoso, você está respirando de maneira forte e acaba inalando uma substância altamente tóxica.”
Fumar também leva a uma diminuição do muco no sistema respiratório. A substância protege o organismo contra agentes infecciosos como bactérias, vírus e partículas suspensas no ar poluído.
O cigarro ainda pode levar ao endurecimento de vasos sanguíneos, fenômeno que aumenta a pressão arterial, e ao surgimento de aterosclerose - placas de gordura que aparecem na parede de artérias e veias.
Atletas em risco
A médica pneumologista Elnara Negri explica que o dano do cigarro ao corpo também é notado na destruição das membranas que envolvem as células do corpo e na alteração do DNA. São sintomas conhecidos como estresses oxidativos.
Segundo Elnara, atletas de alto rendimento como maratonistas podem ter a saúde comprometida pelo fumo, pois o estresse oxidativo é piorado. “São pessoas que já têm um envelhecimento mais precoce. Com a ação do cigarro, a destruição do corpo é potencializada.”
Na avaliação do médico do esporte e fisiatra Mário Sérgio, entre atletas de alto rendimento fumar é algo que se faz escondido. “Na minha experiência prática, eu raramente vejo um atleta sendo um fumante rotineiro”, afirma Mário. “Eles podem fumar no final de semana, esporadicamente, quando a gente não pode fiscalizar, mas é muito raro entre os atletas sérios.”

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Gene ligado ao nanismo protege contra câncer e diabetes, diz estudo

Guevara-Aguirre e os anões em 2009 (Foto: Cortesia / Jaime Guevara-Aguirre)

Um estudo de 22 anos com pessoas anormalmente baixas sugere que as mutações que causam o nanismo podem também diminuir o risco de câncer e diabetes. Na pesquisa, o biólogo celular Valter Longo, da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, e o endocrinologista equatoriano Jaime Guevara-Aguirre acompanharam uma comunidade remota nas encostas dos Andes.
Nesta comunidade, há muitas pessoas com a síndrome de Laron, um defeito num gene que impede o corpo de utilizar o hormônio do crescimento (GH). Os cientistas acompanharam cerca de cem indivíduos com a síndrome e 1,6 mil de estatura normal.
Durante os 22 anos, não foi registrado nenhum caso de diabetes e apenas um de câncer – que não levou à morte – entre os anões. Em contrapartida, entre as pessoas de estatura normal, 5% tiveram diabetes e 17% sofreram de câncer. Como eles viviam no mesmo ambiente e tinham os mesmos fatores genéticos, os cientistas concluíram que o hormônio do crescimento tem suas desvantagens.
“As pessoas com deficiência de recepção do hormônio do crescimento não têm duas das principais doenças do envelhecimento. Também têm uma incidência muito baixa de acidentes vasculares, mas o número de mortes por conta deles foi muito baixo para determinar se isto é significante”, afirmou Longo.
Contudo, a expectativa de vida dos dois grupos é aproximadamente a mesma, pois os anões morrem pelo abuso de substâncias ou por acidentes com mais frequência. “Embora os indivíduos que encontramos aparentem estar relativamente felizes e normais e sabidamente tenham funções cognitivas normais, há muitas causas de morte estranhas, incluindo muitas ligadas ao álcool”, explicou o pesquisador.
O que ainda não está claro para os cientistas é como a deficiência de hormônios de crescimento pode proteger um indivíduo. De toda forma, existe a esperança de desenvolver um tratamento a partir do bloqueio dos hormônios. A ideia é utilizar tal tratamento em adultos com alta taxa destes hormônios, tentando levá-los a uma taxa média, e apenas em famílias com alta incidência de câncer e diabetes.
O estudo foi divulgado pela publicação científica “Science Translational Medicine”.

Expectativa de paciente pode alterar efeito do analgésico, diz pesquisa

Uma pesquisa recém-divulgada sugere que as expectativas de pacientes podem tanto potencializar os efeitos de um analgésico como neutralizá-los por completo. Pesquisadores britânicos e alemães aplicaram calor nos pés de 22 pacientes, que em seguida tiveram de quantificar o grau de dor sentida em uma escala de 0 a 100.
Simultaneamente, os pacientes eram submetidos a um escâner cerebral, que exibia as condições das diferentes regiões do cérebro enquanto os testes eram realizados.
Após a aplicação do calor, o nível médio de dor sinalizado por eles foi de 66. Os pacientes que estavam também conectados a um dispositivo intravenoso pelo qual poderiam receber doses de medicamentos sem ser informados, recebiam, então, um poderoso analgésico chamado remifentanil. Depois disso, eles passaram a sinalizar 55 como sendo seu índice de dor.
Os pesquisadores informaram-nos, em seguida, que eles estavam sendo medicados com um analgésico, e a nota dada por eles caiu para 39. Então, mantendo a mesma dose, eles foram informados de que a aplicação do analgésico havia sido suspensa e que eles provavelmente sentiriam dor. Com isso, a nota subiu para 64.
Portanto, apesar de eles estarem recebendo remifentanil, relataram estar sentindo o mesmo nível de dor indicado quando não estavam recebendo qualquer analgésico.
"Fenomenal"
A professora Irene Tracey, da Universidade de Oxford, disse à BBC: "É fenomenal. É um dos melhores analgésicos que temos e a influência do cérebro pode ou aumentar em muito o seu efeito ou removê-lo por completo".
O estudo, publicado na revista especializada "Science Translational Medicine", foi conduzido em pessoas saudáveis que foram submetidas à dor por um curto período de tempo.
De acordo com a pesquisadora, pessoas com condições críticas e que haviam experimentado vários medicamentos ao longo de muitos anos podem ter uma experiência negativa muito maior do que a de outros, o que teria impacto sobre seu tratamento no futuro.
Escaneamentos cerebrais realizados durante a pesquisa mostraram também quais as regiões do cérebro que foram afetadas.
A expectativa de um tratamento positivo foi associada com a atividade nas áreas cingulo-frontal e subcortical do cérebro, enquanto a expectativa negativa levou ao aumento da atividade no hipocampo e no córtex frontal medial.
Os cientistas por trás do estudo também disseram que a pesquisa levanta dúvidas a respeito de testes clínicos usados para determinar a eficácia de medicamentos.
Segundo George Lewith, pesquisador da área de saúde da Universidade de Southampton, trata-se de "mais uma prova de que encontramos o que esperamos da vida. A pesquisa faz cair por terra testes clínicos aleatórios, que não levam a expectativa em conta como fator".

Novo tratamento para calvície pode ter sido descoberto por acaso

Evolução da calvície nos camundongos submetidos ao tratamento (Foto: UCLA/VA)

Pesquisadores norte-americanos podem ter descoberto – completamente por acaso – um composto químico que provoca o crescimento de cabelo. Eles estavam pesquisando a influência do estresse sobre as funções gastrointestinais. A descoberta foi publicada pelo jornal científico “PLoS One”.
Os cientistas da UCLA (Universidade da Califórnia, em Los Angeles) fizeram alterações genéticas em camundongos para que eles produzissem em maior quantidade um hormônio ligado ao estresse chamado fator liberador de corticotrofina (CRF, na sigla em inglêS). Uma das conseqüências foi a perda de pelos nas costas.
Em seguida, injetaram nos camundongos um composto chamado astressina-B, um peptídeo capaz de bloquear o efeito do CRF, durante cinco dias seguidos. Mediram os efeitos do composto sobre o sistema digestivo dos animais e colocaram-nos de volta às gaiolas, junto aos demais camundongos. Três meses depois, quando deveriam repetir as medições, perceberam que os pelos nas costas tinham crescido novamente.
“Quando analisamos o número de identificação dos camundongos em cujas costas cresceram pelos descobrimos que, de fato, o peptídio astressina-B foi responsável pelo notável crescimento de pelos nos camundongos calvos”, disse Million Mulugeta, um dos autores da pesquisa. “Estudos subsequentes confirmaram isso sem dúvidas”.
Por enquanto, os testes foram realizados apenas com camundongos, mas os pesquisadores têm esperanças de que este possa se tornar um tratamento eficiente contra a calvície. “Poderia abrir novos campos para tratar a perda de cabelo em humanos por meio da modulação de receptores de hormônios de estresse, particularmente a perda de cabelo ligada ao estresse crônico e ao envelhecimento”, argumentou Mulugeta.