terça-feira, 1 de março de 2011

Brasileiros acham proteína que pode ser usada em tratamento contra Aids


Pesquisadores brasileiros conseguiram identificar uma proteína que vai ajudar a desenvolver no Brasil uma vacina para o tratamento da Aids. O trabalho foi feito por cientistas de três universidades no país: em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Pernambuco.
O tratamento desenvolvido com vacina terapêutica por pesquisadores das universidades federais de Pernambuco e do Rio de Janeiro e da Universidade de São Paulo não é preventivo, mas pode melhorar a qualidade de vida dos doentes. Dezoito pacientes já testaram a vacina e a metade deles teve a carga viral reduzida a quase zero.
Os pesquisadores quiseram saber porque um grupo de pacientes reagiu melhor à medicação do que o outro. A resposta está nos fatores genéticos. As células de defesa dos pacientes que mais reduziram a carga viral produzem uma quantidade maior de uma proteína específica, chamada NALP.
A partir da presença da proteína NALP nas células de defesa, os pesquisadores desenvolveram um marcador genético, que permite identificar quais os pacientes mais resistentes e os mais vulneráveis ao vírus da Aids.“O papel desta proteína no combate ao vírus da Aids é reconhecer o vírus e chamar a atenção de outras proteínas inflamatórias que geram a cascata de eventos moleculares, visando à destruição do vírus mesmo”, afirma Sérgio Crovella, professor da UFPE.
A descoberta vai definir o critério de seleção dos doentes para os estudos e poderá melhorar a qualidade da vacina. O mais novo passo em direção à vacina terapêutica está sendo comemorado pela comunidade científica.
“Ajuda a gente a pensar melhor, a entender melhor o mecanismo da doença e da infecção, e a confecção mais inteligente da vacina”, diz Luiz Cláudio Arraes Alencar, afirma o pesquisador da UFPE.

TIRINHAS - Dengue

















Estudo: consumo de refrigerante pode aumentar pressão arterial


O consumo de refrigerantes e outras bebidas com grande quantidade de açúcar traz risco de aumento da pressão arterial, segundo afirma um estudo realizado por especialistas americanos e britânicos.
A pesquisa, feita com 2,5 mil pessoas e publicada na revista científicaHypertension, afirma que beber mais de 355 ml diários de bebidas com gás ou sucos de fruta contendo açúcar é o suficiente para desequilibrar a pressão.
Embora o motivo exato desta relação entre pressão e refrigerantes ainda não seja clara, os cientistas acreditam que o excesso de açúcar no sangue prejudica o tônus das veias sanguíneas e desequilibra os níveis de sal no organismo.
Na pesquisa, os participantes - todos americanos e britânicos, com idades entre 40 e 59 anos - anotaram o que haviam comido nas 24 horas anteriores e fizeram um exame de urina, além de terem medida a sua pressão arterial.
De acordo com a pesquisa, para cada lata de bebida com açúcar consumida por dia, os participantes tinham em média uma alta de 1,6mmHg (milímetro de mercúrio) em sua pressão sistólica (quando o coração se contrai e bombeia sangue no corpo).
Já a pressão diastólica - quando o coração relaxa e recebe o sangue do sistema circulatório - teve um acréscimo de 0,8mmHg para cada lata de refrigerante ou suco contendo açúcar bebido por dia.
Os cientistas descobriram que o consumo de açúcar era maior entre aqueles que tomavam mais de uma bebida açucarada por dia.
Além disto, segundo o estudo, os indivíduos que consumiam mais de uma dose diária de refrigerantes e bebidas açucaradas ingeriam em torno de 397 calorias a mais por dia do que as pessoas que bebiam produtos sem açúcar.
A entidade American Heart Association, sediada nos Estados Unidos, recomenda que não se consuma mais do que três latas de refrigerante de 355ml por semana.
Os cientistas também verificaram que, em geral, as pessoas que consumiam muitas bebidas açucaradas tinham dietas menos saudáveis e tinham uma tendência maior para o sobrepeso.
No entanto, segundo o estudo, a ligação entre refrigerantes e o aumento da pressão foi verificada nas pessoas entrevistadas independentemente destes fatores.
Sal e açúcar
No estudo, a relação entre bebidas açucaradas e pressão alta foi muito evidente em pessoas que consomem grandes quantidades tanto de sal quanto de açúcar. Médicos afirmam que o excesso de sal na dieta contribui para o aumento da pressão arterial.
"É amplamente sabido que, se você tiver muito sal em sua dieta, você terá mais chance de ter pressão alta", diz o cientista responsável pelo estudo, Paul Elliott, da Escola de Saúde Pública do Imperial College (Londres).
"Os resultados deste estudo sugerem que as pessoas também devem ter cuidado com quanto açúcar consomem", afirma.
A pressão alta é o maior fator de risco para doenças cardiovasculares. Médicos estimam que uma pessoa com uma pressão de 135mmHg por 85mmHg tem duas vezes mais chance de ter um enfarte ou um derrame cerebral do que alguém com 114mmHg por 75mmHg.
A entidade British Heart Foundation, com sede no Reino Unido, afirma que mais estudos são necessários para entender melhor a relação entre pressão arterial e açúcar.
A nutricionista-chefe da fundação, Victoria Taylor, diz que evitar o consumo em excesso de bebidas açucaradas é o melhor caminho para impedir a obesidade, outro fator de risco para doenças cardíacas.

Educação pode reduzir risco de pressão alta, diz estudo

Uma pesquisa americana sugere que mais tempo de educação pode reduzir a pressão sanguínea.
A pressão alta, ou hipertensão, está ligada a problemas como ataques cardíacos, derrames e falência renal.
O estudo publicado na revista especializada 'BMC Public Health' mostra que a ligação entre educação e redução da pressão sanguínea é mais forte entre mulheres.
Níveis educacionais mais altos já eram relacionados a níveis menores de doenças cardíacas. Os pesquisadores sugerem que a pressão sanguínea pode ser a origem desta relação.
'Mulheres com menos (tempo de) educação têm probabilidade maior de passar por depressão, probabilidade maior de ser mães solteiras, mais probabilidade de viver em áreas empobrecidas e mais probabilidade de viver abaixo da linha de pobreza', disse Eric Loucks, professor que liderou o estudo na Universidade de Brown, no Estado americano de Rhode Island.
O estudo analisou 30 anos de informações recolhidas de 3.890 pessoas, que estavam participando da experiência em um bairro de Massachusetts. Estas pessoas foram divididas em três grupos: baixa educação (12 anos ou menos), educação intermediária (entre 13 e 16 anos) e alto nível de educação (17 anos ou mais).
Os pesquisadores calcularam então a média da pressão arterial sistólica do período de 30 anos.
Predisposição
Mulheres com níveis baixos de educação tinham uma pressão sanguínea 3,26 mmHg (milímetros de mercúrio) mais alta do que aquelas com um nível educacional alto. Entre os homens, a diferença foi de 2,26 mmHg.
Outros fatores, como fumo, consumo de medicamentos para pressão e consumo de bebidas alcoólicas, foram levados em consideração e o efeito sobre a pressão arterial continuou, apesar de ser em um nível mais baixo.
'Foi demonstrado que o baixo nível educacional predispõe indivíduos a empregos de maior carga, caracterizados por altos níveis de exigência e baixo nível de controle, que estão associados com a pressão arterial elevada', escreveram os pesquisadorse na revista 'BMC Public Health'.
'Estas descobertas apoiam as provas já existentes a respeito da ligação entre privação sócio-econômica e risco de doenças cardíacas', disse Natasha Stewart, enfermeira especializada em problemas cardíacos na instituição de caridade British Heart Foundation.
'São necessárias medidas em todas as partes da sociedade para dar às crianças o melhor início possível na vida e reduzir as desigualdades na saúde', acrescentou.

Pesquisa com 1.159 homens registra HPV em metade dos participantes

Um estudo feito com homens brasileiros, mexicanos e norte-americanos encontrou o vírus do papiloma humano (HPV, na sigla em inglês) em metade dos participantes. O vírus é sexualmente transmissível e pode causar desde infecções e verrugas na genitália até cânceres. O artigo teve como principal autora a Dra. Anna Giuliano, do Centro de Câncer H Lee Moffitt, em Tampa, nos EUA, e foi publicado pelo "Lancet".
A pesquisa acompanhou 1.159 homens com entre 18 e 70 anos (a idade média foi de 32 anos), por um período de entre 18 e 31 meses. Dentre eles, havia heterossexuais, bissexuais, homossexuais e homens que afirmaram não ter feito sexo. Nenhum deles era HIV positivo, nem tinha registro prévio de verrugas penianas ou anais, nem estava sentindo ardor ao urinar.
Ao longo do período em que foram acompanhados, os participantes fizeram exames semestrais, com coleta de material. A coleta é simples: um objeto semelhante a um cotonete é esfregado no pênis e na bolsa escrotal e as células retiradas vão para análise laboratorial. Nestes exames, 584 (50%) apresentaram infecção por HPV em algum momento.
Perigo também para as mulheres
Tradicionalmente, a medicina dedica maior atenção ao HPV nas mulheres. Entre elas, é mais comum o desenvolvimento de doenças mais graves, como displasias (anomalias) e câncer no colo de útero. Segundo a Dra. Luisa Villa, a ocorrência entre elas é de 10 a 20 vezes maior que entre os homens. Villa foi responsável pela parte brasileira da pesquisa, no Instituto Ludwig de Pesquisas Contra o Câncer, e coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do HPV, sediado da Santa Casa de Misericódia de São Paulo.
A grande incidência do HPV entre os homens naturalmente afeta as mulheres, uma vez que o vírus é sexualmente transmissível. “A gente deve sim mencionar a transmissão, mas não deve menosprezar a carga de doenças que o homem tem com essas infecções”, disse a pesquisadora.
“Câncer de ânus tem tido um impacto muito elevado e está aumentando em incidência em mulheres e em homens, alguns heterossexuais, inclusive. Esses cânceres de canal anal são causados por HPV, uma boa parte deles”, ressaltou Villa.
É importante destacar que apenas a camisinha não é suficiente para garantir que o HPV seja transmitido. Afinal, o vírus não está presente apenas no sêmen. “Existe HPV nas superfícies, seja de pele (cútis), seja de mucosa, e aí é muito complicado encontrar uma forma de evitar totalmente o contato, a menos que você faça abstinência total. Não só penetração, qualquer contato”, destacou a cientista.
Tem cura?
Há diversos tipos de HPV. A principal diferenciação que se faz é em relação ao risco oncogênico, ou seja, a possibilidade de que este vírus leve a um câncer. Quando ele é de baixo risco, muitas vezes o próprio sistema imunológico do corpo humano consegue acabar com a infecção e eliminar o vírus. Dentre os casos registrados pela pesquisa, os participantes se livraram dele depois de um tempo médio de sete meses e meio.
Não existe tratamento capaz de matar o vírus, uma vez que ele se manifesta. O que se pode fazer é tratar as doenças que ele causa. No caso de uma verruga, por exemplo, pode-se removê-la cirurgicamente, mas é possível que o HPV continue presente mesmo depois da intervenção.
O que há, sim, desde 2006, é uma vacina que previne contra as infecções causadas pelo vírus. No Brasil, ela é aplicada somente em mulheres com entre nove e 26 anos. “A vacinação de homens contra o HPV protegerá não só a eles, mas terá também implicações para os(as) parceiros(as) sexuais”, comentou Joseph Monsonego, do Instituto do Colo do Útero, em Paris, na França.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Gel vaginal microbicida contra HIV pode proteger tecidos retais

gel contra hiv
Um gel microbicida com antirretroviral Tenofovir, eficaz para impedir a infecção vaginal pelo vírus HIV responsável pela Aids, também pode proporcionar um alto grau de proteção dos tecidos do reto, segundo resultados preliminares de um estudo clínico publicado nesta segunda-feira (28).
Estes resultados, baseados em biópsias de tecidos retais provenientes de homens e mulheres soronegativos que usaram esse gel regularmente durante uma semana, mostram pela primeira vez que o gel pode ajudar a reduzir o risco de infecção com HIV como consequência das relações anais, destacam os investigadores.
"Estamos verdadeiramente entusiasmados com estes resultados que indicam que a aplicação do gel Tenofovir no reto pode ser promissor para a prevenção de uma infecção com HIV", declarou Peter Anton, professor de medicina na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, que realizou o estudo junto ao dr. Ian McGowan, da Universidade de Pittsburgh.
Esta pesquisa foi apresentada na 18ª Conferência sobre os retrovírus e as infecções oportunistas, que está sendo realizada em Boston desde 27 de fevereiro até 2 de março.
"Estes resultados são preliminares, mas podem ajudar a fixar as bases para os testes clínicos com géis microbicidas destinados ao reto, que já estão em andamento ou que serão feitos no futuro", explicou o dr. McGowan.
Os microbicidas aplicados no interior do reto ou da vagina são concebidos e testados para ajudar a prevenir ou reduzir o risco de transmissão sexual do HIV (vírus da imunodeficiência humana) outras infecções sexuais, explicaram os autores do estudo.
A maior parte as pesquisas realizadas com microbicidas se concentraram até o momento sobre a forma de impedir a transmissão do HIV durante as relações sexuais vaginais não protegidas.
O risco de infecção com HIV durante as relações anais é pelo menos 20 vezes mais importante devido ao fato de que a mucosa retal é formada por uma única camada de células, em comparação com os tecidos mais espessos da vagina.

Notificações de dengue mais que triplicam em 2010, aponta ministério

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde sobre o avanço da dengue no Brasil mostram que o ano de 2010 apresentou mais que o triplo de notificações na comparação com 2009. Foram 999.688 relatos da doença no ano passado contra 323.876 no ano anterior. Segundo o ministério, os dados para 2010 são preliminares.
A região Sudeste foi a que apresentou o maior número de notificações no ano passado. Foram 473.994 relatos da doença no ano passado, contra 106.942 no ano anterior. Na região Sul, o número de relatos passou de 1.653 em 2009 para 42.707. O aumento menos expressivo foi no Nordeste, com 171.779 em 2010 contra 125.124 no ano anterior.
As notificações não significam casos confirmados de dengue. Exames de contraprova são feitos em institutos de referência e descartam diagnósticos errados. As secretarias de saúde estaduais passam os dados locais sobre a doença para o ministério.
Óbitos
O número de óbitos por conta da dengue mais que dobrou na comparação entre os dois últimos anos. Em 2010, 572 morreram pela doença contra 226 em 2009.
Segundo as informações preliminares do ministério, apenas os estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe não tiveram mortes no ano passado. São Paulo registrou o maior número de mortes: 136 em 2010, contra apenas 7 em 2009.
2011
O ministério também divulgou o número de notificações em 2011, referentes até o dia 28 de janeiro. Com 26.034 relatos da doença no país durante o primeiro mês do ano, a Região Norte aparece na frente com 10.471 notificações. O Sudeste vem em seguida, com 7.094.
Entre os estados, o Acre já levanta 6.851 diagnósticos iniciais de dengue. Minas Gerais, com 3.058, Goiás, com 2.538 e Espírito Santo, com 2.205, aparecem na sequência.
Ainda em investigação, os óbitos registrados em 2011 por conta da doença chegaram a 12, cinco deles na Região Norte. Casos graves da doença chegaram a 101, com metade deles (51) sendo confirmados no Sudeste.